FICHA TÉCNICA

A CASA DOS ESPÍRITOSA CASA DOS ESPÍRITOS
Autor: Allende Isabel
Ano de Lançamento: 2017
Nº de páginas: 448
Editora: Bertrand
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SINOPSE

A casa dos espíritos é tanto uma emblemática saga familiar quanto um relato acerca de um período turbulento na história de um país latino-americano indefinido. Isabel Allende constrói um mundo conduzido pelos espíritos e o enche de habitantes expressivos e muito humanos, incluindo Esteban, o patriarca, um homem volátil e orgulhoso, cujo desejo por terra é lendário e que vive assombrado pela paixão tirânica que sente pela esposa que nunca pode ter por completo; Clara, a matriarca, evasiva e misteriosa, que prevê a tragédia familiar e molda o destino da casa e dos Trueba; Blanca, sua filha, de fala suave, mas rebelde, cujo amor chocante pelo filho do capataz de seu pai alimenta o eterno desprezo de Esteban, mesmo quando resulta na neta que ele tanto adora; e Alba, o fruto do amor proibido de Blanca, uma mulher ardente, obstinada e dotada de luminosa beleza.

As paixões, lutas e segredos da família Trueba abrangem três gerações e um século de transformações violentas, que culminaram em uma crise que levam o patriarca e sua amada neta para lados opostos das barricadas. Em um pano de fundo de revolução e contrarrevolução, Isabel Allende traz à vida uma família cujos laços privados de amor e ódio são mais complexos e duradouros do que as lealdades políticas que os colocam uns contra os outros.


RESENHA – A CASA DOS ESPÍRITOS

Chove em Santiago. Chove lágrimas de um homem brutalizado pela vida. Aquele que já foi jovem e teve que amar mais a terra do que si, mais o dinheiro que as pessoas, mais o rancor que o perdão. Chove lágrimas de uma mulher marginalizada pela vida. Aquela que já foi jovem e aprendeu a amar mais os mortos do que os vivos, mais o sentir que o possuir, mais o silêncio que o falar. Chove lágrimas de uma nação ferida. Uma nação que já foi jovem e não aprendeu a repartir, que trocou o clamor do povo pela voz de poucos. Chove nos telhados de uma casa rodeada por espíritos, habitada pelos vivos no coração de um país que morreu.

A CASA DOS ESPÍRITOS

“É melhor um pai morto do que um pai ausente.”

Esteban Trueba é jovem, apaixonado, ambicioso, materialista, violento. Clara del Valle é jovem, pragmática, desapegada, sensível, pacífica. Duas vidas que o destino cruzou. Unidas em matrimônio através de uma separação. Uma morte que gerou a vida de um casal que não deveria se amar. Esteban foi minerador, é fazendeiro e será Senador. Clara foi criança, é médium e será “nêmesis”. Da união de um materialista trabalhador com uma sensitiva desprovida da noção de posse nascerá uma lendária família que irá mesclar sua vida com a história do Chile.

A CASA DOS ESPÍRITOS

“O pior é ter medo do medo”

O Chile é uma nação jovem. Das cidades pouco estruturadas ao campo do trabalho explorado existe um clamor. O desejo de progresso e justiça. Um ideal de um país governado pelo povo, pelos trabalhadores, encabeçado por um jovem médico socialista que está conquistando o coração dos que sofrem. Alguns dizem que ele chegará a presidência, e o Chile jamais será o mesmo. Mas também cresce o desejo de combater esses ideais em parte da população assustada com o socialismo e que tem medo de mudança. Um general pode ser a solução para esse problema. Alguns dizem que ele chegará a presidência, e o Chile jamais será o mesmo. Em meio ao espalhar do socialismo no campo, através de cantigas de violão, e o militarismo ditatorial necessário para conte-lo, acompanharemos a família Trueba. Com seu patriarca Esteban casado com a jovem Clara, pais de Blanca que ama Pedro, o filho do capataz com ideais socialistas e que se tornarão pais de Alba. Uma neta que será responsável pela vida e morte da família em um espiral infindável de dor, sangue e amor.
A CASA DOS ESPÍRITOS

“As meninas decentes deitam-se de graça; imagine a concorrência.”


SENTENÇA

Esse livro da escritora chilena Isabel Allende é aclamado em todo o mundo. Uma saga familiar de uma homem apegado ao seu tempo que acaba casando com uma jovem a frente de seu tempo, gerando filhos frutos do seu tempo com seus dramas que envolvem ódio, resgate e perdão. Como pano de fundo temos um Chile em ebulição com a ascendência a presidência de Salvador Allende e sua deposição pelo ditador Augusto Pinochet. Um livro denso e carregado de tensões políticas. Há uma maestria na escrita da Isabel(autora) que aborda as várias facetas, motivações, falhas e acertos de todos os personagens, independente se são os opressores ou os oprimidos no momento da trama, mostrando uma imparcialidade e sutileza apenas proporcionada por autores geniais. Não é fácil lidar com tantos sentimentos conflitante e ideologias opostas sem se perder ou impor seu “viés” pessoal. Uma trama para se ler com calma, em pequenas doses, saboreando como um bom vinho tinto, ou café, em uma noite chuvosa. São tantas camadas de informação e sensações para absorver que demanda tempo e, se possível, maturidade. Desafiador e recompensador. Uma obra eterna.

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