FICHA TÉCNICA

A INFÂNCIA DO BRASILA INFÂNCIA DO BRASIL
Autor: José Aguiar
Ano de Lançamento: 2017
Nº de páginas: 96
Editora: Avec
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SINOPSE

Em A Infância do Brasil, o premiado quadrinista José Aguiar lança seu olhar sobre a História do Brasil não pela perspectiva dos grandes eventos, mas pela das pessoas comuns, pelo viés da infância.
Nela o autor atravessa nossa história cheia de contradições, abusos, descaso, abandono, entre outras situações que insistem em não ficar para trás. A Infância do Brasil é sobre refletir o presente a partir do nosso passado para, quem sabe, projetarmos um futuro melhor.


RESENHA – A INFÂNCIA DO BRASIL

Pontos de vistas se alteram constantemente partindo da premissa em que se muda o ponto de observação. Realidades nunca são tão reais quanto aquelas em que vivemos, e nunca vivemos todas. Logo, sempre observamos a vida através de grossas lentes bem particulares e peculiares. Quando acrescentamos o tempo, as distorções podem ser ainda maiores. Esse pequena obra tenta melhorar essa percepção. Guiando-nos pelo Brasil, através de suas muitas faces ao longo do tempo, provamos um pouco do que essa terra tropical tem tanto a oferecer. E o melhor, através dos lábios e olhos mais sinceros que existem… os de uma criança.

A INFÂNCIA DO BRASIL “Porque quando você nasceu eu estava acorrentada na mesma senzala fedida em que meus pais (…) eu e os seus irmãos nascemos escravos! Mas ninguém tem o direito de fazer o que quiser de você. Podem nos vender, espancar, por para trabalhar a ferro… Mas você não, meu amor! Nunca se esqueça, Ana… você nasceu livre!”

Portugal chegou. Mas ninguém pediu sua vinda. Trazendo a “civilização” e sua distorcida cruz de Cristo ele veio para ficar e alterar o nosso rumo. Adultos e pequenos que outrora corriam livres e nus pela selva tombam frente ao contato com o homem branco. Trocas comerciais e existenciais, nomes alterados, falsas profissões de fé e uma boa dose de sífilis. O índio nunca foi tão branco e o branco nunca foi tão selvagem. Terra, riquezas e almas sugadas. Restou a lembrança, a falta de identidade e a necessidade de migrar. Portugal se foi, mas fincou suas raízes. O tempo passa e a escravidão deixa marcas mais profundas que as causadas pelo aço dos grilhões nos pulsos e chicote nas costas. O julgamento pela cor e a ganância de dominar outro ser humano não se esvai com tempo ou leis. O Brasil negro sofreu tanto quanto o amarelo. A exploração do mais fraco continua latente, e ninguém mais frágil que as crianças. Algumas nasceram escarvas, algumas se tornaram “escravas” das decisões dos seus pais. Um Brasil jovem com dores tão antigas.

A INFÂNCIA DO BRASIL“Quando cheguei aqui (Brasil) não tinha quase nada. Mal se viam casas ou panos até para cobrir nossas vergonhas. Mas tinha minha esperança de vencer! De enriquecer…”

Forçado ou explorado. Quando não há jumentos para trabalhar, o homem é capaz de transformar crianças em máquinas de trabalho. Em um Brasil da era Vargas “Leis trabalhistas” tentam contornar a exploracão. Mas um país que precisa de tantas leis ao longo do tempo para desvirtuar caminhos sinuosos só prova que nasceu torto. Terra que explora, terra que não da oportunidades, terra que oprime, terra desequilibrada e desigual. Em meio a sinais de trânsito você encontra os que batem no vidro dos carros e os que teclam nos vidros dos smartphones. Qual o país real? Quem são os filhos do Brasil afinal?

A INFÂNCIA DO BRASIL“Pai. Por que eles não têm casa? Na TV todo mundo tem casa!”


SENTENÇA

Está pequena obra abrange de forma delicada todas as percepções acima. José Aguiar (autor) com seus traços carismáticos, e quase caricatos, nos apresenta uma “colcha” de retalhos históricos de algumas faces marcantes do Brasil. O foco sempre são as crianças, o que elas passaram e ainda passam, assim como a indiferença por parte de tantos. Não espere uma obra simpática e feliz. Ela é real e crua assim como nosso país, não aquele que é pintado em aquarelas mundo a fora, mas aquele que é escrito com lágrimas. Uma obra tensa, curta e envolvente.

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