ARTIGO #02 – Vida Longa às Livrarias Físicas

 
Sim, nós amamos passar longos momentos “surfando” na internet buscando aquela promoção relâmpago do nosso livro desejado. Também ficamos fuçando para descobrir futuros lançamentos já catalogados nas lojas virtuais que ainda não estão presentes nas próprias páginas das editoras. Isso é muito legal e saudável, mas quando as livrarias físicas se tornaram um vilão que merece morrer devido aos “preços altos”? Elas realmente perderam o sentido? Em que momento, você que se considera um “rato de promoções na internet”, começou a ver o comprador de livros tradicional, aquele que busca lançamentos nas prateleiras, como um trouxa retrógrado? E desde quando as livrarias físicas servem “apenas” para saciar o desejo de comprar livros?
 
“O que eu digo é que uma cidade não é uma cidade sem uma livraria. Podem até chama-la de cidade, mas se não tiver uma livraria, estarão enganando suas almas” – Neil Gaiman
Muito mais que um ponto de venda, as livrarias são uma “experiência sensorial” e porta de entrada para uma nova dimensão. Há uma sensação única em estar no meio daquela ebulição de volumes, cores e cheiros. Cheiro de páginas novas, cheiro de expectativa do que se pode encontrar. É como caminhar em um jardim que te tira da solidão, a oportunidade de fazer amizades com todos aqueles autores que destilaram sua criatividade e memórias nas prateleiras que agora acenam para você. Também um ótimo lugar para se escapar quando as lágrimas estiverem chegando, pois haverá consolo e identificação nas palavras eternamente embalsamadas naqueles volumes por alguém que já passou por sua angústia. Há paz e razoável silêncio no ambiente, o que acaba sendo um bom ponto de fuga em meio ao “oásis” consumista que se tornou a sociedade. Há uma sensação de confiança e segurança que almas continuam se dedicando diariamente a propagar cultura e informações.
 
“Todas as vezes que vou a uma livraria, acho o livro que estava querendo e mais três que não estavam nos planos.” – Mary Ann Shaffer
Entrar em uma livraria é ser tragado por um buraco negro que ao invés de causar destruição promove a criação. Criação de novos leitores. Quem nunca viu pais levarem seus filhos para brincarem com os livros na seção infantil e o sorriso em suas faces? Ou viram o brilho nos olhos da jovem que está livre para escolher qualquer volume em meio aos lançamentos infanto-juvenis? Talvez aquele casal, onde apenas um é leitor no momento, que para acompanhar seu cônjuge em sua “tour” se vê tentado a foliar algumas páginas expostas e assim ser “fisgado” por alguma história? Afinal, há lugar melhor para se reunir com pessoas queridas para tomar um café e passar o tempo? Há uma magia insubstituível na descoberta e no toque daqueles volumes expostos e escondidos em seus respectivos nichos. Principalmente no leitor de “primeira viagem”.
 
“A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, quase ninguém sente esta sede.” – Carlos Drummond de Andrade  
Há história nas livrarias físicas. História contadas e conhecidas. Histórias de autores e leitores. História de vidas de todos aqueles que em algum momento foram tocados e impressionados pelas obras expostas ou pelo ambiente. Há tradição. Tradição contida nos livros que duram cinco séculos em detrimento de aparelhos que duram cinco anos. Tradição na certeza de que ainda há um público de leitores em meio a uma sociedade em constante ebulição e transformação. As livrarias físicas estão com os dias contados? Creio, e espero, que não. A importância delas é muito mais sutil do que por vezes podemos perceber. Uma afirmação de que sempre existiram, existem e ainda existirão pessoas ávidas por estarem em meio ao “paraíso”, ou seriam livros? Não se trata apenas da sua relação com essas “lojas”, e sim da relevância das mesmas para a atual e futuras gerações. Vida longa à todas elas!
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