FICHA TÉCNICA

o muroO MURO
Autor: William Sutcliffe
Ano de Lançamento: 2018
Nº de páginas: 336
Editora: Record
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SINOPSE

Joshua tem 13 anos e mora com a mãe e o padrasto em Amarias, um lugar isolado no topo da montanha, onde todas as casas são novíssimas. Na fronteira da cidade, há uma barreira bem alta, guardada por soldados fortemente armados e que só pode ser cruzada através de um posto de controle. Ninguém deve entrar naquele lugar, e quem está lá não tem permissão para sair. Desde pequeno, Joshua sabe que, do outro lado daquela muralha, há um território violento e implacável e que O Muro é a única coisa capaz de manter seu povo em segurança. Desde pequeno, ele sempre ouviu que, do outro lado, havia um território proibido, um lugar violento e perigoso, do qual um garoto como ele deveria manter distância. Um dia, a bola de Joshua cai do outro lado do Muro e, ignorando tudo o que sempre ouviu, ele vai atrás dela e acaba descobrindo um túnel que o leva a uma realidade que jamais imaginou encontrar. Lá ele acaba caindo nas mãos de uma gangue sanguinária, mas a bondade de uma menina salva sua vida. Porém isso acaba desencadeando um ato de extrema crueldade e coloca Joshua em dívida com ela… Uma dívida que ele fará de tudo para pagar.

RESENHA – O MURO

Existe algo que os separa. Uma história de conflitos e um ódio perpetuado por gerações. Ignorância, incompatibilidade de fé, falta de diálogo e o medo levaram a construção de um muro. Tijolos erguidos e amontoados feitos do barro da intolerância. Esse livro é sobre dois povos e a linha tênue de morte que os divide. É sobre o eterno conflito entre “judeus e palestinos” pela ótica de uma criança.

O Muro

“”Você não pode lutar por mil anos. Estará morto.
– A próxima geração seguirá com a luta.
– Eu sou a próxima geração. E acho que você é louco.”

Joshua é “judeu”. Vive em Amarias, um assentamento criado pelas forças de “Israel” na região da “Cisjordânia”. Vivendo com sua mãe e seu intragável padrasto ele passa seus dias estudando e jogando bola com seus amigos como uma criança qualquer intrigado, como muitos, com o gigantesco muro que os separa de outra realidade. Um Muro construído para conter ataques e invasões daqueles que outrora foram invadidos. Certo dia, durante uma brincadeira, sua bola vai parar do outro lado deste muro. Na ânsia por resgata-la ele acaba entrando em um território proibido onde encontra um túnel que o levará para o outro lado da fronteira e toda uma realidade oculta lhe será revelada. Língua, costumes e um vida que pode parecer hostil, mas que lhe proporciona uma experiência jamais sonhada através da amizade com a jovem Leila.

O Muro

“Com um retângulo branco, O Muro, o arame farpado, os soldados, as torres de observação, as armas têm um significado totalmente diferente.”

Leila é “palestina”. Vive as margens de Amarias como uma quase refugiada. Passando dificuldades com seu pai viu exércitos tomarem quase tudo que tinham de valor, menos a esperança, a fé que um dia todo esse ódio chegaria ao fim, que essas zonas de conflito, postos de controle, soldados armados deixariam de fazer sentido. O fio de esperança chegou através de um jovem perdido na cidade. Um “judeu” que não personificava o mal de forma alguma, apenas uma criança como ela querendo entender toda essa confusão. Uma amizade é feita e o destino de duas crianças está selado sobre o crivo de um terreno minado e um céu cheio de balas.

O Muro

“Nunca vejo o momento em que ele é atingido, apenas meu pai estirado de uniforme, seu sangue escorrendo na rua, cercado por pessoas gritando e atirando, mas em silêncio.”


SENTENÇA

Essa obra do britânico William Stucliffe era para ser uma crítica severa ao eterno conflito entre judeus e palestinos. As etnias e locais estão entre aspas em minha resenha porque em momento algum o escritor os define como tais, mas isso fica claro durante a trama e através de uma nota no final do livro. Essa obra era para ser uma análise mas não convence. Partindo de uma premissa incrível o autor se perde em sua superficialidade e sua péssima escrita. Questões históricas, divergências de pontos de vistas, costumes e credos tão conflitantes em momento algum são abordados. O autor preferiu ficar em uma certa zona de conforto evitando assuntos mais pesados e espinhosos. Por vezes se concentrando demais, quase um terço da obra, na incompatibilidade de Joshua (protagonista) com seu padrasto. A forma como escreveu a trama é extremamente cansativa e descritiva alem de não parecer em vários momentos que se tratava de percepções e emoções de uma criança de treze anos apenas. Um livro com grande potencial e uma boa trama mas que possui um “muro” de qualidade, gerado pelo próprio autor, que separa a absorção da mesma e todo seu potencial não realizado.

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