FICHA TÉCNICA

Os portais da casa dos mortosOS PORTAIS DA CASA DO MORTOS – O Livro Malazano dos Caídos #2
Autor: Steven Erikson
Ano de Lançamento: 2018
Nº de páginas: 816
Editora Arqueiro
Link da Amazon: Clique Aqui


SINOPSE

Já se passaram dez anos desde que Laseen tomou o trono com um ardil traiçoeiro, mas, à medida que o Ano de Dryjhna se aproxima, o Império Malazano se vê à beira da anarquia, enfraquecido pelos acontecimentos na cidade de Darujhistan. Muitas das regiões controladas pelo punho de ferro da imperatriz ameaçam acender a fagulha da revolução.

No meio do vasto domínio das Sete Cidades fica o Deserto Sagrado Raraku, onde estão os resquícios de incontáveis civilizações extintas há muito tempo. Nesse lugar repleto de segredos e magia, a Vidente Sha’ik e os seguidores do Apocalipse preparam um levante contra o poderoso império, conforme previsto nas antigas profecias.

Enquanto as forças convergem contra Laseen, ela reúne um exército de assassinos, feiticeiros e espiões para combater a rebelião e ampliar seu império cruel. Em meio a uma fúria e um poder jamais vistos, o mundo está prestes a mergulhar em uma guerra sangrenta, capaz de mudar os destinos de homens e civilizações, criando lendas que atravessarão os séculos.


RESENHA

Este é um daqueles livros que redefine o que é uma obra-prima. Não há muito o que florear com relação a isto, Os Portais da Casa dos Mortos é um livro marcante, inesquecível! Completamente complexo e denso, suas vísceras são expostas a cada momento, uma leitura para ser feita com calma, apreciando todos os detalhes criados pelo autor. Sua composição é danosa aos mais fracos de espírito, chegando ao ponto da crueldade. Toda esta deturpação está voando pelo mundo de Malazan, como areia nos desertos de Raraku. O clima é árido, pesado e por vezes angustiante, seu final não acalenta, mas violenta ainda mais. Se esta não for sua próxima leitura, você certamente irá se arrepender no futuro.

Saiba mais sobre a série aqui: https://goo.gl/c02W3F

os portais da casa dos mortos

“— Eu me lembro de um homem desarmado a falta de armadura em suas mãos virou minha lança no último momento. lembro-me da espada de Dujek, que roubou minha beleza enquanto meu cavalo mordia seu braço, estraçalhando lhe o osso. Lembro que Dujek perdeu aquele braço para os cirurgiões, corrompido como estava pelo hálito do meu cavalo. Cá entre nós, sai perdendo naquela interação, pois um braço a menos não acabou com a carreira gloriosa de Dujek, enquanto a perda da minha beleza me deixou apenas com a esposa que eu já tinha.
— E ela não era sua irmã, Bult?
— Era, Coltaine. E cega.”

A história se passa em outros locais, com novos e alguns poucos personagens do primeiro livro. O Apocalipse está chegando, as Sete Cidades estão em ebulição, o Império de Laseen está sofrendo como nunca antes, e todos, absolutamente todos sofrerão com os efeitos colaterais deste embate. Mortais ou Imortais, não importa, a lâmina corta e faz sangrar. Steven Erikson é como um maestro de um soneto sombrio numa noite de Inverno. Seus personagens têm alma, não é preciso muito para nos afeiçoarmos a eles, e lamentar suas perdas. Os Portais da Casa dos Mortos faz jus ao seu título, e realmente traz a morte, não importando sexo, idade ou credo. E elas não são “limpas” ou “honradas”, elas podem e farão parte de seus pesadelos.Os Portais da Casa dos Mortos

“Na trilha, a não mais de cinquenta passos do ponto em que Duiker se encontrava, um deplorável pelotão de soldados malazanos se contorcia no que eram localmente chamadas de “camas deslizantes”: quatro lanças altas postas na vertical, com a vítima presa sobre as pontas dentadas, nos ombros e nas coxas. Dependendo do peso e da força de vontade para ficar imóvel, o processo de trespassar e deslizar devagar na direção do chão poderia levar horas. Com a benção do Encapuzado, o sol do dia seguinte aceleraria a morte agonizante. O historiador sentiu seu coração congelar de fúria.”

O livro possui uma gama de novos personagens, mas que vão se diluindo com a leitura, não sentimos em nenhum momento que o autor apenas colocou àquele ou este para “ocupar espaço”, cada elemento deste mosaico é parte integrante de um todo formidável. Os temores de Mappo, a coragem e determinação de Duiker, a vigilância sempre constante de Violinista e as motivações de todos os demais personagens são críveis e elementares. Em suma, todos buscam pela sobrevivência em um mundo completamente corrompido.

Os Portais da Casa dos Mortos

“— O voto de limpar as sete cidades dos mezlas é mais importante — grunhiu o sargento. — Dryjnha exige sua alma, dosino. O Apocalipse chegou. Os exércitos se unem em toda a terra e todos devem escutar o chamado.” 


SENTENÇA

Se em Jardins da Lua somos jogados em uma batalha campal, com inúmeros personagens de motivações desconhecidas, e aos poucos vamos nos esgueirando e aprendendo sobre a genialidade da obra, neste livro tudo é muito mais linear, mas sem perder a complexidade. O próprio autor admitiu isto no inicio do primeiro livro. Persistam e deleitem-se. Jardins da Lua, foi sem dúvidas minha melhor leitura do ano e Os Portais da Casa dos Mortos é sem dúvidas uma das minhas melhores leituras da vida. O Livro Malazano dos Caídos é talvez o ápice da Literatura Fantástica, e depende de nosso empenho de comprar e divulgar (ao lado da editora) para que ele não tenha um futuro tão sórdido quanto seus personagens.

Comentários