RESENHA #04 – JOYLAND – STEPHEN KING

Joyland
Autor: Stephen King
Ano de Lançamento: 2015
Nº de Páginas: 240
Editora: Suma de Letras
Nota no Skoob: 4.3

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SINOPSE
Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer.

Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria.

O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.

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RESENHA

Joyland é um livro pequeno (240 páginas) com grandes aspirações, King economizou nas páginas (como nem sempre faz), porém esbanjou na criatividade para criar um livro intimista, que fala não somente sobre seu gênero favorito, o terror e o suspense, aqui encontramos uma reflexão sobre a transição da juventude para a vida adulta, perdas, memórias, confiança. Tudo isso com o plano de fundo de um parque de diversões. Não, não podemos atribuir a Joyland somente o papel de plano de fundo, a forma como King aborda o parque é semelhante a um personagem, que está ali à espreita, preparado para desempenhar seu papel quando for solicitado.
Joyland respira com todos seus funcionários correndo de um lado para o outro, sejam eles vestindo a roupa de Howie, o Cão Feliz para a alegria da criançada, sejam as Garotas-Hollywood tirando fotos de casais apaixonados ou os demais funcionários que cuidam da parte operacional do Parque. Poucos sabem do brutal assassinato que ocorreu há alguns anos atrás, e menos pessoas ainda presenciaram a aparição de um fantasma, próximo a um de seus principais brinquedos.

 

Neste cenário somos apresentados a Devin Jones nosso protagonista, um jovem universitário que aceita um emprego temporário durante o verão no interior da Carolina do Norte. Devin foi deixado de lado por sua namorada Wendy, e no auge de sua juventude ele tem de lutar contra seus impulsos e suas inseguranças. Devin é um rapaz depressivo, que busca consolo nas músicas e livros. E na companhia de Erin e Tom eles são jogados para dentro dos mistérios que envolve Joyland.

“Quando se tem vinte e um anos, a vida é um mapa rodoviário. Só quando se chega aos vinte e cinco, mais ou menos, é que se começa a desconfiar que estávamos olhando para o mapa de cabeça para baixo, e apenas aos quarenta temos a certeza absoluta disso. Quando se chega aos sessenta, vai por mim, já se está completamente perdido. “

Ao decorrer do livro, nosso protagonista conhece dois personagens muito importantes e marcantes, são eles Ann e seu filho Mike. Mike possui sérios problemas de saúde, e isto faz com que Ann se torne uma mãe superprotetora, que impede a aproximação de pessoas para dentro de sua vida e de seu filho. Ao contrário de Mike, que mesmo ciente de todas as suas enfermidades, luta todo dia para buscar a sua felicidade, sendo um rapaz sempre sorridente e simpático, que encontra em Devin um amigo que nunca teve a oportunidade de ter.

Outros personagens ganham destaque ao longo da leitura, são eles: Lane Hardy, Rozie Gold, Pop Allen e o Sr. Brad Easterbook (proprietário do parque).

“Não entendo por que as pessoas usam religião para se magoar quando já existe tanta dor no mundo. A religião deveria reconfortar.”

É notório que Stephen King é famoso por suas obras de horror e suspense, grande mestre na arte de assustar e aterrorizar pessoas, King têm em diversos de seus livros, elementos que tratam da condição humana e seu comportamento. E em se tratando de Joyland, a balança pesa muito mais para esta direção do que para o terror propriamente dito. Claro que há o suspense na busca do Assassino do parque, há os elementos sobrenaturais do fantasma e de suas aparições, porém percebemos que estes elementos têm um papel muitas das vezes secundário frente a proposta do livro.

“Algumas pessoas escondem suas verdadeiras personalidades querido. Às vezes, dá pra perceber que estão usando máscaras, mas nem sempre. Até pessoas com intuições poderosas podem ser enganadas.”

Para as pessoas que nunca leram um livro do King, esta certamente será uma ótima pedida de entrada, e para aqueles que não gostam do gênero de terror, podem encontrar aqui uma dualidade muito bem construída entre o drama e o suspense.
Certamente Joyland não é o melhor livro do mestre, e tão pouco têm esta pretensão, porém aqui temos uma leitura rápida, fluída e muito prazerosa. Que expõe para aqueles que não conhecem, um outro lado de Stephen King. Um lado mais humano e menos aterrorizante!

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