RESENHA #09 – A Face dos Deuses – As Crônicas da Aurora Vol 1 – Gleyzer Wendrew

 

A Face dos Deuses – As Crônicas da Aurora, vol 1
Autor: Gleyzer Wendrew
Ano de Lançamento: 2016
Nº de Páginas: 180
Editora: Kiron

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SINOPSE

Heros Kinnhäert, rei de Maäen, ainda é atormentado pelos horrores vividos durante a Longa Guerra, e tudo que deseja é descansar em paz. Mas ao saber da terrível aliança entre dois grandes senhores, vê-se preso em uma teia de conspirações nunca antes vista, e não medirá esforços para evitar a destruição de seu país…
No Norte, Koran K’Voöhk é um orgulhoso guerreiro que retorna à sua cidade após o exílio que lhe foi imposto ainda garoto, e depara-se com a mais pura decadência: sua Família está em declínio; seu castelo, abandonado aos ratos; seus inimigos, ainda mais poderosos… conseguirá ele reerguer o nome de sua Família e recuperar o prestígio que ela um dia tivera?
Mentiras, laços frágeis, falsas emoções e adagas traiçoeiras permeiam um mundo cercado de religião, política e deuses misteriosos.

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RESENHA

A Face dos Deuses conta a história dos reinos pertencentes ao continente de Dünya escritos pelo autor Gleyzer Wendrewe publicado no meio do ano de 2016 pela editora Kiron. Segundo o autor, o planejamento é para outros 3 livros, e o segundo já está em desenvolvimento. Durante o enredo deste primeiro acompanhamos os andamentos por meio dos famigerados pontos de vista dos principais personagens, mesmo recurso de escrita utilizado nas Crônicas de Gelo e Fogo, trilogia A Primeira Lei, entre outros.

“A Longa Guerra ainda era recente na memória daquelas pessoas e as marcas da crueldade vatriana ainda demorariam um bom tempo ate cicatrizarem”

O livro como um todo é um grande prólogo que nos posiciona sobre o presente e alguns flashbacks, tudo isso é muito bem arquitetado para que possamos nos familiarizar com os personagens e parte de suas motivações, é um livro pequeno com apenas 180 páginas, mas como diz o autor, o importante não é o tamanho e sim a qualidade. E isto caros leitores, não falta em A Face dos Deuses.

Este primeiro volume das Crônicas da Aurora possui um dos melhores prólogos que já li, logo de início já temos consciência de toda a brutalidade e crueldade que estará fatalmente presente ao decorrer da obra, a escrita do autor é absolutamente fantástica, totalmente crível nas descrições e muito bem delineada. Posso dizer que A Face dos Deuses é o livro que mais me surpreendeu positivamente este ano, quando dei início na leitura, não me imaginava ficar tão preso no mundo de Allurya como fiquei. Ponto para o autor!

“Todos que estavam em Entia naquela noite sangrenta foram brutalmente assassinados; e a seus corpos crucificados os fyaraänos atearam fogo em veneração à face do nefasto Fyaär.”

Somos apresentados a 3 grandes reinos, Vatra ao norte, Venn a oeste e Maäen ao sul, entre tantas outras cidades inseridas a seus respectivos territórios. Há alguns anos houve um grande conflito que ficou conhecido como a Longa Guerra, onde centenas de milhares pereceram nos embates, deixando profundas cicatrizes em todos os lados. Neste primeiro livro acompanharemos parte destas consequências, distribuídos ao longo das principais famílias dos reinos.

Em Maäen seremos inicialmente apresentados à corte e família do Rei Heros Kinnhäert, que viu a Longa Guerra ceifar a vida de seu ente mais querido, seu irmão Humbro, símbolo de força e esperança para o reino. Antau, um dos filhos de Heros está fadado a um futuro incerto nas mãos do inimigo, levado para ser escravo ao norte, ele terá de encontrar forças em meio as crueldades impostas pelo temíveis Fyaraänos. No reino de Venn, liderado pelo outrora vigoroso e poderoso Kazoya Vennian, um tratado improvável, decidirá quem serão seus aliados e inimigos para os anos vindouros, alianças nunca antes cogitadas alterarão o destino de todo o continente. Por fim chegamos a Vatra, reino absoluto do norte, onde 3 representantes das principais famílias, governam em conjunto, dentre eles o grande general vatriano Cleyo Blo’Siänkh, que em suas maquinações iniciou os conflitos aterradores da Longa Guerra, Cleyo possui uma sagacidade e mordacidade implacáveis, fazendo-o se destacar em meio a tantos personagens, o grande General de Vatra é frio e absolutamente calculista em suas decisões, não se importando com os reflexos de suas ações a teus próximos.

“Ao se lembrar de tais atos de extrema brutalidade, ainda que para os padrões vatrianos, Blanck estremeceu. Como alguém pode ser pior do que o General mais cruel de toda a história? Pensara naquele instante, antes da reunião; mas ao encarar Koran, entendeu. Bastava olhá-lo, mesmo que rapidamente, para ingerir o ódio que exalava daquele homem. ”

Outro personagem de grande destaque em A Face dos Deuses é o cruel e brutal Koran K’Voöhk conhecido também como o Ceifador de Almas, Koran viu em sua infância uma traição que culminou na ruína de sua família, exilando-o de seu reino e tendo que lutar nos caminhos tortuosos de N’akan para sobreviver. Neste primeiro livro, acompanhamos a luta do Ceifador em busca da ascensão e da glória perdida do nome de sua família.

 

A Face dos Deuses é um livro denso em um mundo altamente complexo, a religião é símbolo presente para todas as situações do enredo, são ao todo 7 divindades inseridas no panteão “Alluryano”, cada qual representante de um “estado de espírito”, Aehla como a deusa da esperança, Fyaär como deus do ódio, Läa como a divindade da tristeza, Sünnt como o deus-sol, Sürm como o deus do caos, Vaäth como a deusa do medo e do desespero e por fim Vhäel como representante da vida.

“Porque ele são pessoas ruins, Antau…
… aqui eles veneram Fyaär, o deus do ódio, um ser cruel que prega a guerra e a violência e que exige o sacrifício humano com fogo em sua adoração…
… muitos guerreiam por poder, muitos por ouro ou por território, mas eles não… eles guerreiam porque gostam…

Não irei me estender sobre as outras tantas nuances do livro, deixo à cargo de vocês as surpresas intricadas na obra, mas posso afirmar categoricamente que temos aqui um excelente livro, voltada a sua “face” para o gênero brutal da Fantasia, Gleyzer conseguiu criar um universo riquíssimo em detalhes, vale destacar a criatividade impostas aos nomes dos personagens, é comum no início o leitor ficar um pouco perdido em meio a tantos nomes “diferentes”, divindades e suas relações intrínsecas na trama. Para isso o autor trouxe nas últimas páginas, uma simples e importante descrição dos deuses, símbolos das principais famílias, assim como a cronologia dos eventos presentes na obra.

Em suma recomendo fortemente este belíssimo livro nacional a todos os grandes amantes da literatura fantástica, apaixonados pela fantasia mais brutal e realista, com personagens cinzas, complexos e controversos. O final é digno dos mais sinceros elogios tal qual a obra por inteiro!

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