RESENHA #15 – O Imperador das Lâminas (Coleção As Crônicas do Trono de Pedra Bruta #1) – Brian Staveley

O IMPERADOR DAS LÂMINAS (Coleção As Crônicas do Trono de Pedra Bruta #1)
Autor: Brian Staveley
Ano de Lançamento (BR): 2015
Nº de Páginas: 544
Editora Novo Século
**********
SINOPSE

O Império Annuriano está em crise. O Imperador foi misteriosamente assassinado, e o trono, assim como seus herdeiros, se encontra ameaçado por uma conspiração. Kaden, herdeiro do trono, prossegue com sua vida de estudos num austero e rígido mosteiro. Ele testa os limites de seu corpo e de sua mente a cada castigo, a cada teste. O alcance do “Vazio” só é possível quando o abandono da dor se vai. Adare, Ministra das Finanças, está num covil, silenciosa como uma estátua; tem entre seus pares um assassino, um traidor sorrateiro que sangrou o bem mais precioso de sua vida: seu pai, o Imperador. Valyn é um Kettral, mercenário de um exército que habita uma ilha remota e possui um código de honra implacável. Treinado para matar sem hesitar rápido e brutal como a lâmina que carrega em sua cintura, deve sobreviver ao mortal “Julgamento de Hull”. Esses três irmãos, ainda que distantes uns dos outros, precisam unir forças para resgatar o Império e livrá-lo daqueles que o traíram. Num lugar em que o tempo nem pensava em existir, há segredos mitológicos ocultos, que podem mudar o destino de todos. Asas e espadas te levarão ao campo de batalha!

**********
RESENHA

Alguns livros passam despercebidos, outros precisam ser esquecidos e alguns poucos necessitam ser lidos. “O Imperador das Lâminas” é uma rara jóia em meio ao ainda escasso, mas crescente, mercado de literatura fantástica no Brasil. Todos os elementos de uma boa obra de Fantasia estão presentes: magia, monstros, batalhas, política, personagens carismáticos, religião, sexualidade, suspense, viagem entre dimensões, realeza, romance “sem açúcar”, reviravoltas e um final surpreendente! Dragões não tem… mas temos pássaros gigantes que dão conta do recado (rs) tudo isso em um mundo muito bem construído nesta obra de estreia deste autor que é uma estrela em ascensão no mercado.

“Era uma visão tentadora – facções Kettral identificando conspiradores, arrancando a verdade deles a força e então os executando no meio da Godsway annuriano. Isso não iria trazer seu pai de volta, mas a justiça trazia sua própria fria satisfação.”

O livro possui três protagonistas que são os filhos e as “lâminas” do Imperador assassinado. Kaden, filho mais velho e herdeiro do trono, está há 8 anos estudando no misterioso mosteiro da “Ordem dos Shin”. Seu duro e violento treinamento visa muito mais do que contemplar a natureza e aprender cerâmica. Ele ainda não sabe disso, muito menos que seu pai está morto e de sua responsabilidade para com o Império. Mas em breve descobrirá da pior forma possível, e seus olhos “cor de fogo” irão arder. Por sua vez, seu irmão Valyn está completando seu treinamento para se tornar um “Kettral”, que seria uma divisão paramilitar de elite, versão “Black-Ops” fantástica. Ele não só está para se formar nesta brigada, mas para se formar como um líder! Cada brigada é composta de um líder, um atirador de elite, um especialista em explosivos, um feiticeiro, um piloto e um pássaro gigante (meio de transporte), mas Valyn terá que ir as profundezas da terra (literalmente) para se formar onde encontrará o horror e a escuridão. Já sua irmã Adare, se tornou “Ministra das Finanças” e terá que lidar com toda a intriga, podridão e perigo em um império que está ruindo. Como mulher, em uma sociedade controlado por homens, ela não pode fazer muita coisa além de esperar por seus irmãos e se unir as pessoas certas, ou seriam erradas? Porém o brilho dos seus olhos sangra vingança. E ela a terá de qualquer maneira.

“Mas o treinamento…? É uma ferramenta. Um martelo não é uma casa. Uma faca não é a morte. Você está confundindo o método com a meta.”

Esses três personagens são muito bem construídos. A transição e amadurecimento, mesmo com o pulo do tempo na história, da infância mimada (contada através de pequenos trechos em “flashback”) até a dureza da vida adulta e o momento singular que vivem é fabulosa. Não existem estereótipos muito bem definidos e por vezes irreais. Todos os personagens transitam entre situações que colocam em “xeque” questões de ética quando sua vontade e o destino de um Império está em jogo. O que fala mais alto ao coração? O dever, o desejo ou a raiva e a escuridão em nosso interior? Nesse perigoso jogo político e emocional, ninguém sairá ileso nem terminará como começou.

“Uma coisa que vocês vermes devem perceber – ele começou, com um sorriso cruel que se espalhava no rosto – é que eu não acho que um homem esteja pronto para ser um Kettral até que ele tenha vomitado seu próprio sangue.
– E uma mulher? – Gwenna retrucou.
Fane sorriu.
– Bem, vocês, mulheres, têm maior tolerância a dor, por isso temos de ser ainda mais duros com vocês.”

Um livro realmente fascinante, mas com uma escrita simples e acessível. Cultura, geografia e história na medida perfeita. Sem descrições, por vezes, tediosas sobre o “cheiro da geleia real” ou o material da porta da taverna. O autor vai direto ao ponto em todos os capítulos. Extremamente envolvente, me vi torcendo por certos personagens como poucas vezes na vida fiz em um livro. Se você não conhecia o autor, ou não estava “levando muita fé”, pode acreditar, o livro é bom, bom demais!

“Quando for confrontado com a aniquilação inevitável retarde-a. Para um homem condenado, qualquer futuro é um amigo”
O livro foi nomeado para melhor romance de estreia de Fantasia de 2014 no “Reddit Fantasy”, foi também semifinalista no “Goodreads Choice Awards” e apareceu em numerosas listas de “best-of”, incluindo a “Lista de Leitura Recomendada em 2014” da Locus Magazine e “David Gemmell Legend Awards”: Best Newcomer 2015.

Comentários