RESENHA #17 – Trilogia dos Espinhos – Mark Lawrence

#01 – Prince of Thorns
Ano de Lançamento: 2013
Nº de Páginas: 364
Editora DarkSide
Nota no Skoob: 4.1 de 5.0

SINOPSE

Tem início a Trilogia dos Espinhos: Ainda criança, o príncipe Honório Jorg Ancrath testemunhou o brutal assassinato da rainha-mãe e de seu irmão caçula, William. Jorg não conseguiu defender sua família, nem fugir do horror. Jogado à sorte num arbusto de roseira-brava, ele permaneceu imobilizado pelos espinhos que rasgavam profundamente sua pele, e sua alma. O príncipe dos Espinhos se vê, então, obrigado a amadurecer para saciar o seu desejo de vingança e poder. Vagando pelas estradas do Império Destruído, Jorg Ancrath lidera uma irmandade de assassinos, e sua única intenção é vencer o jogo. O jogo que os espinhos lhe ensinaram.

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#02 – King of Thorns
Ano de Lançamento: 2014
Nº de Páginas: 532
Editora DarkSide
Nota no Skoob: 4.5 de 5.0

SINOPSE

A terra arde com o fogo de centenas de batalhas enquanto lords e pequenos reis lutam pelo Broken Empire. O longo caminho para vingar o massacre de sua mãe e irmão mostrou para o Príncipe Honorous Jorg Ancrath os atores por detrás dessa guerra sem fim. Ele viu o jogo e se comprometeu a varrer o tabuleiro. Primeiro, entretanto, ele deve reunir suas próprias peças, aprender as regras do jogo, e descobrir como rompe-las.

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#03 – Emperor of Thorns
Ano de Lançamento: 2014
Nº de Páginas: 532
Editora DarkSide
Nota no Skoob: 4.4 de 5.0

SINOPSE
O mundo está dividido e o tempo se esgotou completamente, deixando-nos agarrado aos dias finais. Estes são os dias que nos esperaram por todas as nossas vidas. Estes são os meus dias. Eu vou estar diante da Centena e eles vão ouvir. Vou tomar o trono, não importa quem está contra mim, se vivo ou morto. E se eu devo ser o último imperador, farei disso um final e tanto.

A aclamada Trilogia dos Espinhos chega ao seu grande final, depois de termos acompanhado a dolorosa e supreendente infância e adolescência de Jorg Ancrath em Prince of Thorns e King of Thorns, com todo o brilhantismo, charme, violência extrema e total crueldade deste egomaníaco romântico. Conforme Jorg cresce, seu caráter muda e ele parece encontrar algum equilíbrio em suas tendências sociopatas. Em Emperor of Thorns, vamos novamente tomando contato com as atribulações de Jorg e sua fixação em conquistar o Império Destruído com saltos entre o presente e o passado, assim como Mark Lawrence já havia feito no volume anterior. Com isso, vamos descobrindo, desvendando e nos surpreendendo com o mundo onde a história se passa e com as saídas e escolhas nada tradicionais ou lógicas que Jorg se vê obrigado a tomar em seu caminho ao trono.
Prince of Thorns, King of Thorns e Emperor of Thorns formam uma das trilogias mais importantes da nova geração, que chega ao fim de forma brilhante e imprevisível, ao mesmo tempo cruel e poética, uma obra-prima de um novo grande autor.
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RESENHA

“Tempos sombrios exigem escolhas sombrias. Escolham a mim”
Jorg Honório Ancrath é um personagem singular na literatura fantástica, sua vida é de uma maneira geral, condescendente aos seus anseios cruéis e selvagens. Sua trajetória por vezes nebulosa, é regada pelo sangue de teus adversários e porque não de teus companheiros? Suas lágrimas moldadas através da dor e do sofrimento cristalino. Mark Lawrence soube manusear em sua construção literária, o libelo dos extremos… ou você ama ou odeia, seja seus personagens, personificado explicitamente em Jorg nesta primeira trilogia, seja em sua escrita, por vezes crua e direta, seja em suas histórias, rodeadas dos mais clássicos e onipresentes recursos deus ex-machina, ou simplesmente pela brutalidade traçada na tinta que borda as páginas.

“Vou lhes dizer: o silêncio quase me derruba. É o silêncio que me apavora. A página em branco na qual posso escrever meus medos. Os espíritos dos mortos não têm nada a ver com isso. Aquele morto tentou me mostrar o inferno, mas não passou de uma pálida imitação do horror que sou capaz de pintar na escuridão de um momento quieto.”
Jorg é herdeiro de Ancrath, ainda criança, em um passeio com sua mãe e seu irmão mais novo William, a forma como ele vê o mundo é distorcida e arremessada para os lúgubres limites de sua mente. A carruagem a qual sua família estava utilizada é atacada brutalmente a mando de outro Rei, Jorg é arremessado por um de seus guardas à um mar de roseiras-bravas e de lá toda sua inocência é partida ao meio, em detrimento dos sofrimentos impostos à sua mãe e ao seu querido irmão mais novo pelo cruéis malfeitores, sua mãe é cruelmente estuprada repetidas vezes, seu irmão mutilado aos poucos, e ele nada pôde fazer, pois seus movimentos eram travados enquanto os espinhos que o circundavam inundavam seu corpo, causando um mar revolto de sangue e sofrimento. Jurando vingança, Jorg foge de Ancrath e de seu pai, que nada fez para vingar a morte de seus familiares e integra um grupo de bandidos perversos e de um cavaleiro errante, para suprir esta pendencia.

“Lembrei de um tempo em que minha vida era uma mentira. vivia num mundo de coisas suaves, verdade mutáveis, toques sutis, risos sem razão. A mão que me puxou da carruagem naquela noite, que me retirou do colo aquecido de minha mãe e me atirou aos prantos na noite chuvosa, aquela mão me jogou através de uma porta pela qual não posso mais retornar. Todos nós passamos por essa porta, mas tentamos sair por nossa própria vontade, aos poucos, tomando fôlego, caindo e tentando.”

Posso afirmar logo que adquiri Prince of Thorns, me vi fisgado como um peixe, afim de conhecer o universo dos espinhos. Talvez fosse pelo trabalho primoroso da editora, que mantém em níveis altíssimos a qualidade gráfica de seus livros ou talvez, pela sensação de “Hype” que foi se criando sobre a trilogia nas diversas mídias sociais e ações de marketing. Seja lá o motivo, fui vorazmente me debruçar sobre Prince of Thorns, e eis que me surpreendi, por não conseguir me afeiçoar logo de cara com a escrita e com o ambiente desenvolvido por Mark. Confesso não ter gostado muito do primeiro livro, confesso ainda não ter gostado quase nada da primeira metade de Prince. De toda a forma, continuei, logo em seguida parti para o King of Thorns, e novamente… me surpreendi.

“O ódio vai mantê-lo vivo onde o amor falhou.”
Há um salto gigantesco de qualidade do primeiro para o segundo livro, transparente, nítido. King of Thorns é um livro muito mais completo, instigante e consideravelmente superior ao seu antecessor. Em Prince, somos jogados de frente a uma “criança” mimada, cruel, e inexplicavelmente detentora das ações de um grupo de bandidos, logo nas primeiras páginas Jorg destila seu veneno sob uma pequena cidade, causando o caos sobre seus moradores. E a partir daí, Mark descreve os eventos de maneira muito mais rápida do que deveria, deixando nós leitores, muita das vezes perdido em sua narrativa.
“Quero ser grande e forte. Para fazer o Jorg feliz. E eu quero ser feliz, para fazer o Gorgoth ser menos triste.”

No segundo livro, King of Thorns, o autor acrescenta muito mais relevância ao Worldbuilding, e aos poucos vamos conciliando melhor as estratagemas definidas por Mark para a modelagem de um mundo que mescla o ambiente medieval com uma realidade distópica pós-apocalítica, com alguns resquícios de tecnologia. A trama ganha fôlego com a adição de alguns bons personagens, figuradas em Goge Gorgoth, o primeiro é uma criança vítima de uma possível radiação, a qual lhe conferiu algumas habilidades de combustão, sua inocência e sua “fragilidade”, aproxima-o de Jorg, este por sua vez vê no pequeno Gog uma chance de salvar alguém tal qual não foi possível com teu irmão William. Gorgoth é uma figura misteriosa e grotesca, que age como um leal protetor de Gog. A partir deste segundo livro, nós vamos esmiuçando melhor o plot principal da trilogia com o surgimento de uma entidade misteriosa, conhecida como Rei Morto.

“Quando você é comprometido com a violência, é preciso um esforço sobre-humano para parar a tempo. É uma daquelas coisas que, depois de começadas precisam ser terminadas; assim como é o coito, interromper é um pecado, até os padres dizem isso.”

Emperor os Thorns é um encerramento digno da série, não vou tratar aqui dos detalhes do livro, pois naturalmente eles viriam compostos por spoilers. O que posso garantir a vocês, caros leitores, caso não tenham gostado do primeiro livro, tal como eu, deem outra chance, King e Emperor superam em múltiplas vezes seu antecessor. Para você que não conhece, a trilogia dos Espinhos, é brutal, sanguinária, direta e muito controversa. Há momentos que te causará verdadeiro sentimento de repulsa, assim como em outros o deleite será evidente. Mark Lawrence merece aplausos pela bipolaridade de perspectiva da obra, sua escrita é por vezes como um poema sombrio, de ódio e vingança mesclado a um horizonte de esperança parca.

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