RESENHA #21 – Silo (Série Silo #01) – Hugh Howey

SILO
Autor: Hugh Howey
Ano de Lançamento (BR): 2014
Nº de Páginas: 512
Editora Intrínseca
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SINOPSE

O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade? Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo. Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras. Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo. Um crime cuja punição é simples e mortal. Elas são levadas para o lado de fora. Juliette é uma dessas pessoas. E talvez seja a última.

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RESENHA

O livro é ambientado em um futuro “pós apocalíptico” onde o ar é empestado por uma poeira tóxica mortal que faz com que o resto da humanidade, os descendentes que sobreviveram após séculos de contaminação, tenham que viver dentro de um “silo” gigantesco embaixo da terra. Os habitantes do “silo” tiveram que desenvolver uma sociedade a base de ordens restritas para garantirem sua sobrevivência. A sociedade é dividia por “andares”, cada um com sua função. Uns fornecem comida, eletricidade e itens essenciais enquanto outros: informação, saúde etc. Todos levam uma vida tranquila e harmoniosa. Engenheiros, que mantem a energia, e o departamento do TI, assim como os mensageiros que levam mercadorias entre os andares, se relacionam sob a supervisão de um prefeito eleito democraticamente e um xerife para manter a paz. No topo do “silo”, em sua parte externa, existem sensores que captam as imagens do mundo acima (lá fora) e transmitem as mesmas através de telas para os que estão abaixo (dentro do “silo”). Esses sensores precisam ser limpos regularmente devido a poeira tóxica. Mas, já que a exposição ao ar fora do “silo” é fatal, quem é responsável pela limpeza? Os criminosos que são sentenciados a morte. Os expulsos do “silo” devem, voluntariamente, manter os monitores externos limpos e funcionando. Mas porque ajudar uma sociedade que te condenou a morte? O que está por trás deste “ritual” que se repete há séculos?

“Ela nadou em meio a eles. Vadeou onde foi preciso. Pisou e atravessou corpos ocos, chutou ossos e restos mortais e lutou para conseguir passagem até as portas parcialmente abertas.”

A história começa com Holston, o atual xerife, sendo enviado para fazer a “limpeza”. As imagens descritas pelo xerife são as únicas pistas fornecidas, para os leitores, sobre o mundo antes da formação do “silo”. Um mundo seco, empoeirado, apodrecido e com construções destruídas. A esposa de Holston havia sido mandada para a “limpeza” três anos antes, ela havia enlouquecido depois de pesquisar a fundo a criação do “silo” e a verdade do mundo lá fora. Esmagado pela tristeza e curiosidade o xerife comete o pior pecado imaginável: pedir para sair! E em sua sentença de morte ele é encarregado do maior sacrifício humano…fazer a limpeza dos sensores e manter funcionando a sociedade que o condenou. Independente da dor do ato, ele deve lembrar que as pessoas dentro do “silo” ainda dependem disto para continuarem vivendo neste abrigo, ou na verdade seria uma prisão? O resultado de sua limpeza desencadeia uma série de eventos que irá mudar a história da humanidade. Enquanto isso, há a necessidade de um novo xerife, e a Prefeita seleciona uma candidata brilhante e de personalidade forte do departamento mecânico chamada Juliette, o que desagrada a muitos. Com pouco tempo no serviço ela se torna obcecada em descobrir as motivações que levaram Holston, e sua esposa, a preferir a morte do que continuar vivendo no “silo”. Mas será que a vida lá fora não significa condenação, mas sim liberdade? Suas (Juliette) pesquisas despertam olhares, ódio e revela as verdadeiras fissuras já existentes que estão ameaçando partir o “silo” no meio. Afinal o que é realmente este abrigo e porque foi criado?

“Foi bom demais dizer o que pensava para outro ser humano. Foi muito bom ouvir aquelas suas novas ideias em voz alta. E ela soube que estava certa sobre o preço do envio de e-mails: eles não queriam que as pessoas conversassem.”

O livro é uma incrível obra de suspense e ficção científica. O mundo empoeirado e claustrofóbico criado por Howey é possível, real e muito bem construído, assim como o desenvolvimento dos protagonistas. O autor nos convence que o “silo” é realmente uma alternativa vitoriosa para a sobrevivência e sustentabilidade humana. Mas a custo do que? Quem controla o fluxo de informações e o que nós consumimos? Estamos realmente dispostos a abrir mão de privacidade por mais segurança? Controle de natalidade? Não há progresso gerado pelo interesse comum da sociedade? Devemos ser realmente guiados pelos mais preparados? O que é ser “preparado” afinal? “Silo” fala brilhantemente sobre um possível futuro tratando de temas atuais. Esta obra tinha tudo para ser uma das minhas melhores leituras do ano, mas o livro perde muito o “fôlego” do meio para o final e se torna um pouco maçante e repetitivo. Apenas nas últimas páginas retorna ao ritmo viciante (vira página) e possui um final que não é muito surpreendente. É o primeiro livro de uma trilogia e deixa muitas pontas soltas que vão te fazer desejar, e muito, ler a continuação. A obra pode “não te ganhar”, mas com certeza você irá entender porque ela ganhou o mundo.

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