RESENHA #26 – O Herói das Eras (Mistborn #03) – Brandon Sanderson


FICHA TÉCNICA

O HERÓI DAS ERAS (Mistborn #03)
Autores: Brandon Sanderson
Ano de Lançamento: 2016
Nº de páginas: 688
Editora LeYa


SINOPSE

O capítulo final da trilogia Mistborn, de Brandon Sanderson Após subverter a lógica dos livros de fantasia tradicional e arrebatar uma quantidade incrível de admiradores, entre eles George R. R. Martin em pessoa, Brandon Sanderson encerra a trilogia fantástica Mistborn de forma no mínimo surpreendente. Para acabar com o Império Final e restaurar a liberdade, Vin matou Lord Ruler. Mas, em consequência, poderosos terremotos causaram o retorno das trevas, e a humanidade parece estar definitivamente condenada. Resta saber como Vin poderá se livrar da culpa e reverter este cenário. A conclusão da série promete não decepcionar os leitores dos dois primeiros volumes, já que está repleta de revelações e reviravoltas, dignas dos leitores mais exigentes.


RESENHA

Essa obra é a conclusão da aclamada trilogia “Mistborn: Nascidos da Bruma”. O primeiro volume “O Império Final” focava na apresentação do maravilhoso mundo criado por Brandon Sanderson e na jornada de um pequeno grupo liderados pelo “Nascido da Bruma” Kelsier e sua jovem pupila Vin em derrubar o deus-imperador “Senhor Soberano”, houve muita espionagem, ação, mas, para alguns, pecou pelo excesso de romance entre Vin e Elend. O segundo volume “O Poço de Ascensão” vemos um império fragmentado tentando se reerguer, o surgimento de um enorme poder destrutivo e os conflitos e amadurecimento dos protagonistas Elend e Vin. Carregado de suspense a obra manteve o mesmo padrão que a anterior, porem as tramas envolvendo a política no novo império não agradou a todos. Em “O herói das eras” o autor se redime para alguns leitores e chega ao ponto da perfeição. A história está perfeitamente lapidada como um excepcional filme “enxugado” que não precisa de nenhum corte ou edição de imagem. Não só temos todas as respostas para os questionamentos levantados pelas obras anteriores, como o autor nos apresenta NOVAS perguntas (com suas respectivas respostas) que nem sonhávamos em fazer. O resultado é uma leitura que irá deixar seu batimento cardíaco nas alturas!

 “- Gosta de histórias, minha jovem?
– Que tipo de histórias?
– Das melhores claro. – Slowswift disse.
– Não tenho tempo para histórias – Vin respondeu.
– Parece que cada vez menos pessoas têm… ultimamente eu me pergunto o que há de tão atraente no mundo real que faz com que tenham todo esse fetiche por ele. Não vem sendo um lugar muito bom.”

Há todo um clima sombrio e violento neste livro. Elend, longe de ser aquele jovem sonhador, agora é um embrutecido imperador que tenta conquistar “a força” as cidades que ainda não se renderam ao seu domínio, mesmo visando apenas protege-las das agressivas brumas e cinzas, não há como negar que suas atitudes lembram, e muito, um “senhor soberano”, e isso o atormenta profundamente. Existe um questionamento constante na história: o mal é justificado quando for por um bem maior? Para essa jornada ele conta com a imperatriz Vin, agora uma mulher no auge de seus poderes. Além de nosso casal chama a atenção o protagonismo do jovem Fantasma (não mais tão inofensivo), TenSoon (acusado de traição por seu povo) e Sazed (que perdeu a fé). Todos com seus ombros pesados com responsabilidade e culpa se unem em diferentes frentes para combater a “força” destrutiva chama Ruína, que surgiu no final do segundo livro. Vemos a jornada de todos através de um caleidoscópio de ações, revelações, emoção e dor que culminam com um final angustiante e perturbador. Afinal quem é o “herói das eras”? Será que depois de tantas profecias fracassadas, existe realmente este herói?

“- Poderíamos pagar bem.
– Eu vendo informações, menina. Não minha alma. “

Com esta trilogia Brandon Sanderson não apenas elevou os padrões da literatura fantástica, ele criou alguns novos. Ele criou magia, raças, cidades, geografia, deuses de uma maneira raramente vista e com uma coesa perfeição. Alomancia, Feruquemia, Hemalurgia, poderes específicos de cada metal e suas combinações, estacas, Nascidos das Brumas, raças como Skaa, Kandras (e suas gerações), Koloos, Terrisanos, Brumas, Cinzas, Ruína vs. Preservação assim como a descrição relevante das cidades e suas peculiaridades. A história de um planeta inteiro que ele não cansou de explorar. Ler esta série chega a ser uma expansão criativa sensorial.

“Elend investiu, agachando-se e derrubando uma das feras ao decepar suas pernas na altura do joelho. Em seguida saltou, arrancando o braço de outro. Girou, acertando a espada rústica no peito de um terceiro. Não sentia remorso em matar o que antes foram homens inocentes.”


SENTENÇA

Ao término da obra fiquei encantado e deprimido. A maneira como somos guiados e observamos o lapidar do caráter e as decisões tomadas pelos personagens que nos deixam na incerteza da vitória (há algum vencedor afinal?) e o ápice de toda uma jornada épica envolvendo deuses, reis, batalhas, sangue e magia ficarão para sempre gravados na minha mente. Porem termino como meu coração angustiado. Há a necessidade de se despedir, em meio a lágrimas, de toda uma gama de heróis (sim, são muitos) que estarão eternizados e embalsamados nas páginas deste livro, que não é apenas o melhor de 2016, como é um livro que será lembrado para sempre. Creio que ao final desta história descobrimos que o verdadeiro “herói das eras” é o autor Brandon Sanderson por nos ter presenteado com essa obra-prima!

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