FICHA TÉCNICA

JARDINS DA LUA – O LIVRO MALAZANO DOS CAÍDOS #1
Autor: Steven Erikson
Ano de Lançamento: 2017
Nº de páginas: 608
Editora Arqueiro
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SINOPSE

Desde pequeno, Ganoes Paran decidiu trocar os privilégios da nobreza malazana por uma vida a serviço do exército imperial. O que o jovem capitão não sabia, porém, era que seu destino acabaria entrelaçado aos desígnios dos deuses, e que ele seria praticamente arremessado ao centro de um dos maiores conflitos que o Império Malazano já tinha visto.

Paran é enviado a Darujhistan, a última entre as Cidades Livres de ¬Genabackis, onde deve assumir o comando dos Queimadores de Pontes, um lendário esquadrão de elite. O local ainda resiste à ocupação malazana e é a joia cobiçada pela imperatriz Laseen, que não está disposta a estancar o derramamento de sangue enquanto não conquistá-lo.

Porém, em pouco tempo fica claro que essa não será uma campanha militar comum: na Cidade do Fogo Azul não está em jogo apenas o futuro do Império Malazano, mas estão envolvidos também deuses ancestrais, criaturas das sombras e uma magia de poder inimaginável.


RESENHA

Jardins da Lua é sem dúvidas um dos lançamentos mais aguardados dos últimos tempos para os leitores de Fantasia. Desde que a “finada” editora Saída de Emergência adquiriu os direitos e começou o trabalho de tradução os fãs ficaram alvoroçados. Malazan trata-se de universo riquíssimo e de alta complexidade, histórias que ultrapassam milhares de anos, personagens memoráveis e criaturas únicas, distribuídos ao longo de dezenas de livros. Saiba mais sobre a série aqui: https://goo.gl/c02W3F

Enfim, chega março e com ela a promessa (cumprida) da Editora Arqueiro de trazer à luz do dia esta esperada obra. Jardins da lua vale toda essa expectativa? É assim tão “intragável” pelo ponto da complexidade, deixando o leitor completamente perdido neste primeiro romance?

Jardins da Lua - O Livro Malazano dos Caídos - Resenha

“Por toda a vida nós lutamos por controle, por um meio de moldar o mundo à nossa volta, uma caçada eterna e inútil pelo privilégio de sermos capazes de prever a forma de nossas vidas.” 

Antes de tudo, SIM! Jardins da Lua é tudo isso que se esperava e ainda mais. Prepare-se para entrar em um ambiente hostil, árido e sombrio. Com personagens “overpower” caminhando além do famigerado bem vs mal. Olhando de maneira perspectiva, não há vilões, não há heróis, tudo e todos são passíveis de qualidades e defeitos. Acertos e erros. Outro ponto muito interessante é a variedade cultural figuradas nas personagens de Steven Erikson, independente de raça, cor, gênero ou qualquer outro “rótulo”, todos formam um mosaico grandioso, onde não há espaço para preconceito em um lugar onde a sobrevivência é o seu delimitador.

A história gira em torno de diversos personagens que nos são apresentados já em ação. Todos estão fazendo algo por alguém ou por si mesmo. Não há uma pausa para se explicar o que está acontecendo, você sente que pegou carona numa carruagem já há muito em movimento. Talvez este seja o ponto difícil para alguém que está começando agora no universo Malazan, talvez não. Erikson não nos dá um instante de fôlego, todas as histórias, personagens e mitologia formam um quebra-cabeças gigantesco, com detalhes que beiram a perfeição. Acredite quando falo em riqueza em todos os detalhes: Deuses, raças, heróis lendários, uma cadeia de magia criada que transcende o espaço e tempo, um mundo com dezenas de cidades, distribuídos ao longo de diversos continentes. Veja mais no mapa abaixo:

Jardins da Lua - O Livro Malazano dos Caídos - Resenha

Do ponto de vista geral, o plot principal neste primeiro livro gira em torno do Império Malazano na busca de conquistar a última das Cidades Livres de Genabackis, Darujhistan – maior cidade do continente. Entretanto, como era de esperar, há muito por trás das cortinas. A Imperatriz Laseem está na iminência de um conflito interno com seu Alto Punho mais implacável e parte de seu exército, os Queimadores de Pontes, que acreditam estarem na lista de dispensáveis da governante, fazendo com que sua conselheira Lorn, tenha a responsabilidade de representar seus desejos. Lorn conta com o auxílio de seu comandado Paran nesta tarefa, um capitão que está envolto de um joguete dos Deuses. Neste meio tempo um lendário guerreiro – Anomander Rake – portador de uma espada – Dragnipur – capaz de aprisionar deuses e mortais num mundo de escravidão e governante da mítica Cria da Lua, se volta aos seus interesses e os de sua raça – os tiste andii. Em Darujhistan, uma comitiva liderada pelo enigmático Kruppe tentará defender sua cidade dos avanços do Império, ao mesmo tempo em que tenta sobreviver a um conflito com a Sociedade local de assassinos liderada pela misteriosa Vorcan. Acha que isso é tudo? Não, ainda está longe de ser. Trono Sombrio, regente do Reino das Sombras ao lado de seu fiel e implacável comandante Cotillion – conhecido como a Corda -, se unirá a esta guerra com seus Cães infernais e suas possessões beirando o demoníaco.

Jardins da Lua - O Livro Malazano dos Caídos - Resenha

“- Uma convergência de poder sempre produz esse resultado (…)  Os ventos negros se reúnem, alquimista. Cuidado com seu sopro cortante.” 

A escrita de Erikson é fantástica. Por mais que você sinta dificuldades em se situar dentro da história, principalmente na primeira parte, Jardins da Lua é concebido como um poema sombrio em um universo caótico. Seus personagens são o ponto alto do livro ao lado do intrigante sistema de magia e construção do mundo. O final do livro encerra muito bem a primeira parte, deixando pontas soltas que irremediavelmente serão tratadas nos próximos volumes.


SENTENÇA

Jardins da Lua é de fato complexo. É necessário atentar-se a cada detalhe. De uma maneira geral, aconselharia ao leitor ler de maneira tranquila, não se force tanto, não leia com tanta voracidade, absorva as nuances, sem pressa. A partir do momento que você deixar o rio fluir de maneira natural, sua imersão neste universo será completa. E neste momento, você irá concordar comigo. Jardins da Lua é uma verdadeira OBRA-PRIMA da Literatura Fantástica mundial. E merece MUITO alcançar seu sucesso em nosso país.

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RESENHA EM VÍDEO – Diego Ribeiro

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