FICHA TÉCNICA

Uma Guerra AmericanaUMA GUERRA AMERICANA
Autor: Omar El Akkad
Ano de Lançamento: 2017
Nº de páginas: 352
Editora: Harper Collins
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SINOPSE

Uma história poderosa sobre um personagem poderoso. Uma distopia na tradição de The Handmaid’s Tale… um romance magnífico e uma heroína que nos mostra uma possível visão do futuro… Esta história não é de guerra. É de ruína.

O ano é 2074 quando uma Guerra por combustíveis explode nos Estados Unidos, após uma desastrosa mistura de uma política conservadora e autoritária e a mudança climática ignorada pelos líderes mundiais. Sarat Chestnut, nascida em Louisiana, é só uma menina de seis anos quando o terror da guerra invade a sua casa. Tudo o que a envolve – a disputa pelos combustíveis, a cidade destruída e os drones que voam pelo céu – é um prelúdio para um horror maior: a morte de seu pai e a marcha do que sobrou de sua família para um campo de concentração. Mas é neste lugar, influenciada por um estranho funcionário local, que Sarah se transforma em um instrumento mortal de guerra. Sarah se tornará a peça chave que moldará o futuro do planeta, não sem antes destruir a vida de muitas outras pessoas. Uma guerra americana é a história de uma nação contada por uma perspectiva extremamente particular de uma família, e das emoções e decisões desesperadas que se toma quando a prioridade é sobreviver.


RESENHA – UMA GUERRA AMERICANA

Algumas coisas são momentâneas e transitórias. Proporcionam certas emoções efêmeras e nada mais. Já alguns acontecimentos deixam marcas permanentes. Possuem a capacidade de mexer com seus sentimentos ou pensamentos mudando a forma como você observa e avalia a vida. Mais raro ainda quando um livro é o gerador disso tudo. Esse é o caso desta distopia que apresenta o começo, meio e fim da Segunda Guerra de Secessão Americana. Mas esta obra não é sobre os Estados Unidos, balas, batalhas e mortes, sim sobre vida e o que nos torna quem somos.

Uma Guerra Americana

“Você luta na guerra com armas, você luta na paz com histórias.”

Petróleo. Quantas vidas já foram derramadas por este combustível fóssil? Parece que o “ouro negro” promovido pela terra é gerado pelo absorção do sangue derramado em seu nome. Sempre foi assim e sempre será. Não há apenas a destruição de vidas através de guerras, mas do meio ambiente. Sucessivas catástrofes ambientais fizeram a América dizer não a sua exploração… ou uma parte da nação. O Sul se recusou a encerrar sua exploração, e os EUA se dividiu novamente. O poderoso Norte “Azul” impondo a proibição, e o diminuto Sul “Vermelho” que se recusa a deixar a exploração e abaixar a sua cabeça. No meio de uma nação fragmentada ninguém está imune ou impune. Tiros podem ser direcionados, mas fragmentos se espalham por todos. E poucas famílias conheceram tamanha dor quanto os Chestnut.

Uma Guerra Americana

“Olhou os corpos. A maioria estava caída para frente ou de lado, dando as costas para ela. Mas os que ela conseguia ver tinham rostos grotescos, irreconhecíveis, rachados na testa, contorcidos em agonia muda.”

Era uma vez os Chestnut, uma família negra e humilde de Louisiana no Sul dos EUA. Composta por Sarat, sua irmã gêmea, seu irmão mais velho e seus pais eles levam uma vida pobre mas feliz a beira do rio Mississippi. Porem a escassez fez seu pai se arriscar subindo ao Norte em busca de emprego. Acabou encontrando a morte através de um atentado terrorista promovido por Sulistas rebeldes. Sarat ainda cedo viu sua família se despedaçar e foi morar em um campo de refugiados de americanos na própria América. Lá encontrou miséria nunca antes imaginada e ódio. Ódio pela sua história e por “nortistas” que nunca conheceu. Uma raiva que rapidamente foi canalizada quando ela foi aliciada por um senhor, contando com a ajuda de um representante de um recém erguido Império Árabe renascido após sucessivas “primaveras”, que via na destemida jovem rebelde a arma perfeita para mudar os rumos da guerra. Uma jovem pobre, negra, homossexual que irá mudar para sempre a face da nação mais poderosa do Globo.
Uma Guerra Americana

“Depois que ela morreu, em vez de enterrar ela no chão, eu a enterrei no rio.
– Por quê? – eu perguntei.
– Eu queria que ela não parasse nunca.”


SENTENÇA

Essa obra escrita pelo egípcio Omar El Akkad é uma obra-prima. Omar que é repórter e cobriu a guerras do Afeganistão, julgamentos de Guantánamo e alguns movimentos de direitos dos negros nos EUA traz um “insight” descomunal do que é uma guerra e seus desdobramentos. Criando um mundo distópico, mas extremamente verossímil, ele usa a vida da jovem Sarat Chestnut para ilustrar como somos produto do meio em que vivemos, e que o ódio é muito mais fácil de ser perpetuado do que qualquer sentimento. Livro extremamente violento e perturbador, não apenas por apresentar uma história de vida tão triste e miserável, mas porque nos faz questionar se faríamos diferente no lugar da mesma (protagonista). O livro serve como um espelho, mas provavelmente não gostaremos de ver seu reflexo.

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